terça-feira, 19 de novembro de 2013

Diário de Classe Oficinas de Criação Literária 2013.2 (Poesia). Edna Domenica Merola.



O diário de classe apresentado refere-se a um curso de 2 horas semanais e presenciais para alunos maiores de 50 anos.






Cronograma temático realizado nas Oficinas de Criação Literária do segundo semestre de 2013:
Data
Tema
22/8
Apresentação dos alunos. Rimas Cruzadas (abab).
29/8
O Poema: ritmo, métrica. Poeta Fernando Pessoa.
05/9
Linguagem Poética e as Sensações: Visão, Cores.
12/9
Linguagem Poética e as Sensações: Tato, Olfato.
19/9
Literatura e Imaginário (8 arquétipos descritos pelo historiador Lucian Boia).
26/9
Foco Dissertativo & Produção de Texto de Paráfrase.
03/10
Haicai. Poetas Antonio Augusto Assis e Guilherme de Almeida.
10/10
Simbolismo e o Elemento Água.
17/10
Simbolismo e o Elemento Fogo.
23/10
Apresentação na SEPEX.
31/10
Simbolismo e o Elemento Terra.
07/11
Cores, Sons e Poética.
14/11
Introdução ao estudo da obra de Cruz e Souza.
21/11
Simbolismo e o Elemento Ar. Sorteio de amigo (a) secreto (a).
28/11
Produção de texto sobre Natal.
05/12
Avaliação de 2013 e Esboço do Planejamento de 2014.
10/12
Confraternização e troca de textos ‘secretos’.


O planejamento do curso foi concebido para ser modificado durante o decorrer do semestre, pois nosso compromisso é com a criatividade e não com conteúdos, metas e objetivos inflexíveis. Desta feita, ao invés de um rol de conteúdos optamos por desenhar um planejamento dos fundamentos das oficinas.

Mind Mapping elaborado por Edna Domenica Merola


Com o desenrolar dos trabalhos das Oficinas de Criação Poética, o planejamento inicial pôde ser expresso no Mapa Mental que segue:

Mind Mapping elaborado por Edna Domenica Merola
O curso teve uma carga horária complementar que alunos e professora efetuaram por via digital. A correção feita pela professora foi incorporada aos textos originais dos alunos. A professora realizou o preparo prático das oficinas e também suas sínteses teóricas. Os demais participantes realizaram trabalhos semanalmente, a saber: aprimoramento do que foi produzido em aula ou outra tarefa sugerida pelo grupo, ao final da aula. Cada um enviou a postagem para a responsável pela edição no momento em que achou oportuno. A entrega das tarefas variou de 1 a 10 dias após a aula. Desta forma e periodicidade, as funções de editoração foram acumuladas às atividades de natureza estritamente docente tais como pesquisar os temas, organizá-los, adequá-los à faixa etária do grupo e ministrá-los, usando recursos disponíveis. Além do presente registro a professora redigiu textos  com fins didáticos: Ensinar a escrever poemas É uma Tarefa Possível? Disponível em: http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2012/07/ensinar-escrever-poemas-e-uma-tarefa.html . 

ADENDO

7/11/2013. Cores, Sons e poesia. 
Exercício de Imaginação Dirigida. (MEROLA, 2013).
Objetivo: aquecer a escrita tendo por foco centros de energia, cores e sons.
Inspirar e expirar longamente três vezes. Relaxar a região da base da coluna e imaginar a cor vermelha. Entoar a vogal “âh” com o propósito de despertar a criatividade.
Relaxar a região três dedos abaixo do umbigo e imagine a cor laranja. Entoe a vogal “u”. Manter o propósito de despertar a criatividade no trabalho aqui-e-agora.
Relaxar a região do estômago e imaginar a cor amarela dourada. Imaginar o som “s” que ressoa entre os órgãos centrais do corpo, causando o bem-estar necessário para que a criatividade assuma o comando.
Relaxar a região dos pulmões. Imaginar a cor verde e o som “a”, enquanto enche os pulmões com ar e com o propósito de recordar tudo com sabedoria.
Relaxar a região do coração. Imaginar a cor rosa e a vogal “o” bem no centro do coração. Com o propósito de ter inspirações sábias e criativas.
Relaxar a região da garganta. Imaginar a vogal “E” e a cor azul celeste. Fazer o propósito de ouvir tudo com sabedoria.
Relaxar a região entre os olhos e sobrancelhas. Imaginar a cor índigo e o som das vogais “ei” com o propósito de ver tudo com sabedoria.
Relaxar a região do alto da cabeça (coroa). Imaginar a cor violeta como uma chama de fogo sagrado, e o som da vogal “i”, prolongado com o propósito de tornar a sua criação sublime e espiritual.
Tarefa: escrever sobre a vivência.


Referências

BOIA, Lucian. Pour une histoire de l´imaginaire. Verité des Mytes. 1998. Paris: Les Belles Lettres. Cap. I: Structures e Méthodes (P. 11-56).

MEROLA, Edna Domenica. Desbloqueio da Expressão e Técnicas de Redação. Revista da FEBRAP. Anais do IV Congresso Brasileiro de Psicodrama. Ano 7, número 4, volume 4. PP 20-31. Campinas: DCI Indústria Gráfica. 1984.
_____________ Aquecendo a Produção na Sala de Aula. São Paulo: Nativa. 2001. PP 200-201.
_____________ De que são feitas as Histórias? Florianópolis: Postmix. 2014. P 63-68.
______________Ensinar a escrever poemas é uma tarefa possível? Disponível em http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2012/07/ensinar-escrever-poemas-e-uma-tarefa.html

MORENO, Jacob Levy. Psicodrama. Trad. Bras. 2ª.Ed. São Paulo: Cultrix. 1975.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Rimas e Métrica. Soneto de Bilac e Oitavas Camonianas. Haicai. Edna Domenica Merola


Os aspectos formais do poema incluem três importantes itens: rimas, métrica, ritmo.  Apresentamos o soneto Ouvir Estrelas de Olavo Bilac (poeta brasileiro do Parnasianismo) para apontar as rimas usadas no soneto clássico. Para registrar o uso da referência ao cânone, transcrevo o soneto homônimo  de Bastos Tigre e indico a audição Divina Comédia Humana do compositor brasileiro Belchior: https://www.letras.mus.br/belchior/44454/
Em sequência, apresento uma  lâmina com a primeira estrofe dos Lusíadas: oitavas camonianas.
Finalizo com outra forma fixa poética: o haicai. 

Rimas e métrica no Parnasianismo Brasileiro (Olavo Bilac)


Painel elaborado por Edna Domenica Merola

Ouvir Estrelas
           Bastos Tigre

Ora, direis, ouvir estrelas!Vejo
que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
de ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
as estrelas, que dizem? Que sentido
têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,
pois só sabendo inglês se tem ouvido
capaz de ouvir e de entender estrelas.


Divina Comédia Humana. Belchior.

Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi, no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo 
e algum modo de dizer não. Eu canto.

Oitavas Camonianas (Classicismo Português)
Os Lusíadas tem dez cantos (partes). Cada canto tem, em média, 110 estrofes (estâncias oitavas), ou seja, cada estrofe tem oito versos decassílabos (dez sílabas métricas). Veja na lâmina abaixo como se contam as sílabas poéticas ou métricas.

Crédito da foto e do painel: Edna Domenica Merola

Nos seis primeiros versos, as rimas são cruzadas (AB AB AB) e emparelhada nos dois últimos (CC).

Os Lusíadas, Canto I, estrofe 1

“As armas e os barões assinalados (rima A)
Que, da ocidental praia lusitana, (rima B)
Por mares nunca de antes navegados (rima A)
Passaram ainda além da Taprobana, (rima B)
Em perigos e guerras esforçados, (rima A)
Mais do que prometia a força humana, (rima B)
E entre gente remota edificaram (rima C)
Novo reino, que tanto sublimaram.” (rima C)


VERSOS DECASSÍLABOS HERÓICOS


Camões não escreveu os Lusíadas em um só dia... Obra com cerca de nove mil e duzentos versos. Há também os poetas que burilam um único soneto (14 versos) durante dias e até meses. Pensando na prática da "qualidade sempre" (quer com quantidade ou sem), optei, didaticamente, por tentar instalar  nos participantes da Oficina de Criação Literária do N.E.T.I. o conceito de sílaba poética, praticando o uso da métrica. Propus o exercício de registrar pelo menos uma linha poética, diariamente. Lembrando que os versos dos Lusíadas são decassílabos heroicos, verificamos que é necessário também ordenar as palavras de tal modo que a sexta e a décima sílabas sejam tônicas. Sílaba Poética é a menor parte rítmica do verso. Pode corresponder ou não à divisão de sílabas gramaticais: é escolha do poeta.

A contagem do total de sílabas é feita a partir da primeira sílaba (átona ou tônica) da primeira palavra do verso, até a última sílaba tônica da última palavra do verso.

ADENDO BIOGRÁFICO

BASTOS. Manuel Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957) foi o primeiro bibliotecário concursado brasileiro (e por isso o dia do bibliotecário é no dia de seu aniversário), humorista, publicitário, jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, engenheiro.


BELCHIOR. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, conhecido simplesmente como Belchior (Sobral, 26 de outubro de 1946), é um cantor e compositor brasileiro. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.


BILAC. Olavo Bilac (1865-1918) foi poeta parnasiano, contista e jornalista. Escreveu a letra do Hino à Bandeira brasileira. Ocupou a cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras. Entrou para a Faculdade de Medicina e depois Direito, mas não concluiu nenhum dos cursos.
Como um dos principais integrantes do Movimento Parnasiano, valorizou a rigidez das regras da composição poética.


CAMÕES. Luís Vaz de Camões (1524-1580) – Autor dos Lusíadas – é considerado o maior poeta de língua portuguesa. 



Haicai 
É um poema minimalista que expressa uma ideia sintética e profunda em três pequenos versos. (um verso = uma linha de escrita poética).
São seus temas: a natureza, uma estação do ano.
O 1º verso mostra algo sem movimento: uma apresentação, em 5 sílabas poéticas.
O 2º.verso retrata uma ação, em 7 sílabas poéticas.

Terça-feira, 23 de setembro de 2014
Um Haicai ... por uma Primavera. Edna Domenica Merola

Haicai: Primavera

I, á, é, é, á
É cálida entonação:
Estação em mantra.

Referência 
MEROLA, Edna Domenica. Um Haicai e um poema em versos livres por uma Primavera. Disponível em: 
http://aquecendoaescrita.blogspot.com.br/2014/09/um-haicai-e-um-poema-em-versos-livres.html

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Comentar e Apreciar Literatura. Edna Domenica Merola.

                                 
O QUE É IMPORTANTE NUM COMENTÁRIO DE TEXTO?


Foto de Edna Domenica Merola
O leitor comum costuma começar a comentar um texto de um autor consagrado, dizendo se gosta ou não do que está posto... E todos têm lá os seus motivos mais do que justificados sob a égide da filosofia do comprador de sapatos: “Cabem ou não certinho nos meus pés”.
No entanto, comentar um texto com a meta de ensinar literatura implica em contribuir com a expansão das possibilidades de apreciação daquele texto.
A seguir levantamos algumas categorias de análise de comentários. As categorias foram enunciadas colocando o comentarista num lugar determinado que  mostra um ângulo privilegiado do comentário feito.

Categorias identificadas e respectivos exemplos didáticos:
1- Comentarista dialoga com a autora sobre o texto. Ex.: Que texto bonito! Continue escrevendo e postando!
2- Comentarista dialoga com a autora do texto, entrelaçando texto e vida real, já que, para a leitora, o texto é relato de vida: Ex.: Ao ler seu texto fiquei surpresa com as várias situações que enfrentou em sua trajetória profissional. Pelos seus feitos, percebe-se que é uma pessoa criativa.
O diálogo com a autora pode agregar a expressão de valores. Ex.: Sua dedicação às pessoas é um modelo que deveria ser seguido por todos.
Comentarista congratula a escritora por características expressas em sua escrita. Ex.: Como você escreve bem! Seu texto tem poesia, leveza, bom gosto, naturalidade e sentimento.
3-Comentarista expressa o que sentiu ao ler o texto. Ex.: Gostei das palavras usadas com sabedoria e que comovem quem lê.
4- Usando aspas, comentarista cita expressão do texto comentado e interage com o que está sendo expresso no texto. Ex.: Considero-me uma pessoa abençoada por ser sua conterrânea. Gostei muito de sua descrição sobre a Praça “X”.
5- Comentarista interpreta a ilustração que foi usada para acompanhar o texto. Expressa o que sentiu ao olhar a imagem que passa a ser texto, sob seu olhar. Ex.: Que linda tulipa! Combinou muito com o texto: singular e elegante.
6- A comentarista do texto usa a metáfora que o autor usou no texto. Ex.: Ao ler Manuel Bandeira vou-me embora pra Pasárgada e retorno a duras penas, quando consigo fechar o livro. A comentarista faz paráfrase: comenta de fora do texto, resumindo o que está dentro do texto.
7- A comentarista expressa sua identificação. Ex.: Este texto diz tudo o que é a maturidade vivida sem trocar os sonhos pela saudade. Viver bem é estar presente.

Espera-se que essa brevíssima análise possa incentivar a postagem de comentários, possa favorecer o burilamento da capacidade de apreciar textos para que os comentários tecidos possam vir a despertar o interesse em 'leitores' que ainda estão adormecidos. 


ADENDO: Roteiro para comentários de cartas ficcionais:
1- O uso da linguagem está de acordo com:
‒ a idade do emissor?
‒ com o sentimento em que o emissor está imerso?
‒ com o local em que o emissor se encontra?
2- O emissor relata algum conflito? 
3- A personagem narradora faz algum juízo de valores?
4- A emissora opina sobre algo? Em caso positivo, como fez sua argumentação?